Bela, recata e do lar?

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Olá Divin@s!

Vamos falar de assuntos polêmicos?! SIM!!! Deixa eu te explicar um pouco sobre o rebuliço das internets por conta da matéria Marcela Temer: bela, recatada e “do lar” escrita por Juliana Linhares na Veja . Hoje eu não vou fazer um texto gigante, juro, falando sobre toda a história da mulher, seus silenciamentos e lutas, mas esse pode ser um texto no futuro 😛, quero colocar algumas questões para que você consiga entender o porquê do alvoroço e comoção geral.

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Eu vi muitas pessoas que precisam de uma luz falarem que é frescura se ofender com isso, que não tem nada a ver, que se a vida da mulher é assim o problema é dela, que isso é recalque, etc. etc. etc. Eu sou formada em letras, como a maioria sabe, e meu TCC foi em uma área chamada Análise do Discurso. E o que ela faz? Ela lê os registros de linguagem interpretando as entrelinhas. Tá May não entendi bulhufas! Essa área de análise busca interpretar mais do que o que está escrito, ela avalia o porquê do uso daquela palavra, qual é o contexto social/histórico que aquele significado remonta, etc.  E eu vou te contar, de forma bem simples, porque você tem que se sentir no mínimo ofendida com a colocação da colunista. Você pode ler a matéria na integra aqui!

Vamos começar pelo título, ok? Bela, recatada e do lar. Provavelmente, nos anos 20, essas seriam as melhores e únicas qualidades que uma mulher poderia assumir. Além disso, são qualidades que ao longo da história de formação do Brasil, e do mundo né?, sempre enquadraram o papel da mulher como dependente e submissa. Marcela Temer é definida exclusivamente por sua forma física, “moral” e função. Assim como todas as mulheres, infelizmente, são. A mulher boa, modelo, deve se calar, não se posicionar, está sempre linda, praticamente não ter uma vida sexual, saber cuidar da casa, etc. E as que não são assim, não são para casar não é mesmo? Porque uma mulher de verdade, só está realizada e feliz se for casada não é? Não, não é.

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E a matéria alcançou tantos corações, pois, diz que o melhor modelo de mulher têm que estar nesse lugar de submissão à vontade de outro, de rigor e de julgamentos que não deviam ser reforçados. O problema todo não é a vida da Marcela ser assim, simplesmente não é. A grande luta é para que a mulher possa escolher em que lugar quer estar e não ser julgadar inferior ou superior por isso. Ao longo do texto, fica aparente a colocação de Marcela como uma mulher a ser seguida, um modelo, um exemplo, um estandarte #SQN da mulher verdadeira. A grande questão é: você, como mulher, poder escolher aonde quer estar! Se é no lar, que ótimo! Se é na empresa, que ótimo! E não resumir que a mulher “perfeita” tem que ser única e exclusivamente a “do lar”.

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Mas por que não? Porque isso quer dizer que as mulheres, como a minha mãe, que trabalharam e lutaram e seguiram em frente mesmo com maridos/pais ausentes não são mulheres de verdade. Não merecem local de reconhecimento na sociedade. Quer dizer que mulheres que não quiseram se casar e saíram de casa, buscaram independência financeira e foram, muitas vezes, humilhadas por não acreditarem que elas, por serem mulheres, mereciam um lugar de destaque, não é ser mulher de verdade.

Assumir como exclusivo o papel “do lar” para a mulher tira a responsabilidade dos homens em tudo que envolve isso, na criação de filhos e conservação da casa, por exemplo. Além de impedir que a mulher ocupe qualquer outro espaço social, sendo essa a única função que uma mulher de VERDADE pode assumir. Hum… acho que não!

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Então é isso meus amores! Não é sermão nem nada, mas é bom pensar que no meio de um discurso desse existe MUITO machismo enraizado. E precisamos nos posicionar, se queremos que esse tipo de julgamentos deixem de nos rotular.

 

Beijo Diva pra vocês!

beijo diva

P.S.: Esse post surgiu a partir de um ligação indignada de um super amigo “E a história do bela, recatada e do lar? Estou esperando você escrever sobre isso para o Divas”. Depois dessa intimação não tem como não escrever né?

2 Comment

  1. Maravilha seu post!
    Eu me considero uma senhoooora mulher, que no início dos anos 80, fiquei aos 28 anos com 3 filhos pequenos, sem pensão alimenticia, trabalhando e trabalhando, consegui criá-los! Ainda tive mais uma filha, e, hoje: posso falar com muito orgulho que meus filhos conseguiram se formar, casaram-se e me deram netos maravilhosos!. Só lamento pelo avô deles que perdeu a oportunidade de curtí-los como eu. Posso dizer que aos 64 anos sou uma eterna estudante, como professora que sou, sou sozinha sem companheiro, mas feliz, e sei que se Deus quiser me dar ainda um, será bem-vindo, desde que ele na casa dele e eu na minha! Bjs!!
    PS: Quem postou no face sobre seu blog foi meu filho, que me deu uma nora maravilhosa!!

    1. MayDiva says: Responder

      Eu fico MUITO feliz que tenha gostado! Acho extremamente importante trazer essas reflexões para que nós possamos estar cada vez mais fortalecidas! Vê sua disposição se me dá mais certeza que mulheres que lutam são de verdade! Um beijo enormeeeee! :*

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